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Amazonas implanta estrutura inédita para acelerar inovação no controle da malária
Última atualização: 15 de Julho de 2026 - 16:00

Projeto desenvolvido em Coari reúne FVS-RCP, Fiocruz e Secretaria Municipal de Saúde para avaliar novas tecnologias contra o principal vetor da malária na Amazônia e produzir evidências que orientam políticas públicas do SUS.

O aprimoramento das estratégias de enfrentamento da malária no Amazonas ganha um importante avanço com a implantação de seis casas experimentais no município de Coari, a 363 quilômetros de Manaus. Construídas de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), as estruturas são inéditas no estado e estão entre as primeiras da América Latina voltadas à avaliação, em condições controladas, de tecnologias para o controle do Anopheles darlingi, principal mosquito transmissor da malária na região.

A iniciativa é resultado da cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e a Secretaria Municipal de Saúde de Coari (Semsa). O projeto permitirá avaliar a eficácia de diferentes tecnologias empregadas no controle vetorial, como mosquiteiros impregnados com inseticidas de longa duração e produtos utilizados na borrifação residual intradomiciliar. Os estudos irão produzir evidências científicas que contribuirão para o aperfeiçoamento das estratégias de vigilância e controle da malária, subsidiando a tomada de decisão do Ministério da Saúde e fortalecendo as ações do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas de alta transmissão da doença na Amazônia.

Para a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a implantação das casas experimentais amplia a capacidade do estado de responder aos desafios impostos pela malária, aproximando pesquisa científica e tomada de decisão em saúde pública.

"A implantação dessa estrutura pioneira em Coari representa um marco para a vigilância em saúde no Amazonas. Ao reunir ciência, inovação e atuação integrada entre instituições, ampliamos nossa capacidade de avaliar novas tecnologias e produzir evidências que tornam as ações de controle da malária cada vez mais eficientes. A FVS-RCP fortalece seu papel de transformar conhecimento científico em estratégias que contribuem para proteger a população amazonense," avalia Tatyana Amorim.

Além de medir a eficácia de diferentes ferramentas de controle vetorial, os estudos permitirão acompanhar o comportamento do Anopheles darlingi diante dos inseticidas e identificar possíveis mecanismos de resistência, informações fundamentais para aperfeiçoar as políticas públicas de prevenção e controle da doença.

Segundo o coordenador do projeto na Fiocruz, José Bento Pereira Lima, as casas experimentais reproduzem condições próximas às encontradas nas comunidades amazônicas, permitindo análises que não seriam possíveis apenas em laboratório.

"Essas estruturas são fundamentais para entendermos como o vetor responde às diferentes ferramentas de controle. Já observamos que alguns mosquiteiros impregnados apresentam desempenho superior a outros, informação essencial para orientar a escolha dos produtos utilizados na Amazônia. O projeto também abre caminho para testar novos inseticidas, repelentes espaciais e outras tecnologias inovadoras que poderão fortalecer o controle da malária," reforça José Bento.  

Cooperação que fortalece o SUS

Para o secretário municipal de Saúde de Coari, Helber Viana, receber uma estrutura com padrão internacional posiciona o município como referência em pesquisa aplicada ao controle da malária.

"São as primeiras casas experimentais desse modelo na América Latina. Esse projeto representa um avanço importante para a avaliação de tecnologias que poderão beneficiar não apenas Coari, mas toda a Amazônia, o Brasil e outros países que enfrentam a malária. Os resultados já demonstram a importância dessa parceria, que contribui para eliminar casos da doença e fortalecer o SUS," comemora Helber Viana.  

A implantação das casas experimentais amplia a capacidade do Amazonas de produzir evidências científicas em seu próprio território, considerando as características ambientais e epidemiológicas da região. Em um cenário onde fatores como clima, biodiversidade e comportamento do vetor influenciam diretamente a transmissão da malária, avaliar tecnologias nas condições reais da Amazônia torna as estratégias de controle mais precisas e efetivas.

Ao integrar pesquisa, vigilância em saúde e atuação dos serviços locais, a iniciativa fortalece a capacidade do SUS de incorporar soluções inovadoras baseadas em evidências, qualificando as ações de controle vetorial e contribuindo para reduzir a transmissão da doença nas populações mais vulneráveis.

TEXTO E FOTO: Maíra Pessoa/ FVS-RCP


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