Notícias



Estiagem 2026: Saúde Estadual orienta municípios a reforçar vigilância dos impactos da fumaça na saúde
Última atualização: 7 de Agosto de 2026 - 14:00

Nota técnica nº22/2026 estabelece critérios para identificar possíveis agravos relacionados à exposição à fumaça, orienta monitoramento da qualidade do ar e amplia atenção a grupos mais vulneráveis

Diante da aproximação do período de estiagem e do risco de aumento dos focos de calor no Amazonas, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) orientam, nesta sexta-feira (07/08), os municípios a reforçarem a vigilância sobre doenças e sintomas possivelmente relacionados à exposição à fumaça.

As recomendações integram a nota técnica conjunta nº 22/2026, que estabelece parâmetros para vigilância, identificação e prevenção de agravos associados à baixa qualidade do ar e está disponível na íntegra www.fvs.am.gov.br. A medida considera o estado de emergência climática preventiva no Amazonas, diante do risco de seca extrema e da possibilidade de aumento das queimadas. 

A nota também recupera o cenário registrado nos últimos anos: segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Amazonas contabilizou 19.601 focos de calor em 2023 e 25.499 em 2024, sendo este último o maior número registrado no período apresentado no documento.

Para a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a antecipação da vigilância permite que a rede de saúde esteja mais preparada para reconhecer alterações no cenário epidemiológico durante a estiagem.

“A vigilância precisa acompanhar o território antes que o problema se agrave. Neste período de estiagem, integrar os dados de qualidade do ar com as informações dos serviços de saúde permite reconhecer sinais de alerta, orientar os municípios e ampliar a capacidade de resposta diante dos impactos da fumaça na saúde da população.”

A presidente da pasta reforça que a exposição à fumaça não deve ser analisada exclusivamente pela presença de sintomas respiratórios. Tosse seca, falta de ar, irritação nos olhos, nariz ou garganta, coriza, dor de cabeça, cansaço e dermatites estão entre as manifestações descritas na nota técnica, mas esses sinais podem estar relacionados a diferentes condições clínicas ou representar agravamento de doenças preexistentes.

A nota técnica estabelece parâmetros para apoiar os profissionais na investigação da relação entre sintomas e exposição à fumaça. Entre os aspectos que devem ser observados estão a data de início das queixas, a frequência de crises ou exacerbações, a existência de doenças respiratórias preexistentes e a avaliação clínica do paciente.

Segundo o diretor técnico de Planejamento, Emergências em Saúde Pública e Ações Estratégicas da FVS-RCP, Augusto Zany, a padronização das informações fortalece a capacidade de análise da vigilância e contribui para que os dados produzidos nos serviços possam apoiar decisões mais qualificadas.

“Quando os serviços utilizam parâmetros comuns para identificar e registrar os casos, a informação se torna mais qualificada para a vigilância. O objetivo é transformar a percepção sobre os efeitos da fumaça em dados que permitam acompanhar tendências, reconhecer situações de maior risco e subsidiar a tomada de decisão nos diferentes níveis de gestão”, explica Augusto. 

Atenção ampliada aos grupos vulneráveis

Embora qualquer pessoa possa desenvolver agravos respiratórios após exposição contínua à fumaça, a nota técnica destaca grupos que podem apresentar maior suscetibilidade ou procurar mais frequentemente os serviços de saúde em períodos de baixa qualidade do ar. Estão entre eles crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas, populações tradicionais, especialmente povos originários aldeados e menores de cinco anos e pessoas em situação de rua.

Para esses públicos, a orientação é redobrar os cuidados, reduzir a exposição à fumaça e buscar atendimento diante do surgimento ou agravamento de sintomas. Pessoas com condições cardíacas, respiratórias ou imunológicas também devem manter disponíveis os medicamentos prescritos para situações de crise e avaliar, com orientação profissional, a necessidade de permanecer temporariamente fora de áreas impactadas pela fumaça.

Informação também é estratégia de prevenção

A FVS-RCP orienta a população a acompanhar os boletins e alertas oficiais sobre a qualidade do ar, reduzir o tempo de exposição à fumaça, evitar atividades físicas ao ar livre quando houver prejuízo na qualidade do ar e manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de material particulado. A nota também recomenda aumentar a ingestão de água e evitar o uso de tabaco, narguilé, cigarros e dispositivos eletrônicos.

Em relação à proteção respiratória, o documento informa que máscaras cirúrgicas, de pano, lenços ou bandanas podem reduzir a exposição a partículas grossas, enquanto respiradores como N95, PFF2 ou P100 são indicados para reduzir a inalação de partículas finas.

A orientação da FVS-RCP integra a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas para um período em que fatores ambientais podem repercutir diretamente sobre a saúde. A proposta é fortalecer a vigilância no território, qualificar a identificação dos agravos e ampliar a circulação de informações para gestores, profissionais de saúde e população.

TEXTO: Maíra Pessoa/ FVS-RCP

FOTO: Arquivo/ FVS-RCP 



icone de segurança

Aviso de Privacidade e Segurança de Dados

Este portal coleta informações do seu dispositivo e da sua navegação por meio de cookies para permitir funcionalidades como: melhorar o funcionamento técnico das páginas e mensurar a audiência do portal, bem como disponibilizar serviços públicos de qualidade. Para saber mais sobre as informações e cookies que coletamos, acesse a nossa Política de Privacidade.