Saúde do Idoso: FVS-RCP alerta para acidentes com quedas e violência
Última atualização: 3 de Setembro de 2026 - 10:54
Boletim reúne dados de 2018 a 2024 e revela que quedas lideram mortes por causas externas entre idosos no Amazonas.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) disponibiliza, nesta quarta-feira (02/09), o Boletim Epidemiológico “Saúde do Idoso: cenário da mortalidade por causas externas e violência no Estado do Amazonas”, publicado em agosto de 2026. O levantamento reúne dados dos Sistemas de Informação sobre Mortalidade (SIM) e de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e apresenta o cenário registrado no período de 2018 a 2024.
Entre 2018 e 2024, 2.066 pessoas com 60 anos ou mais morreram por causas externas no Amazonas. Em 2024, foram 332 mortes, o maior número registrado no período, com taxa de 93 mortes para cada 100 mil idosos. Acidentes por quedas foram a principal causa, com 599 mortes (28,99%). Em seguida aparecem as agressões, com 311 óbitos (15,05%), e os acidentes de transporte envolvendo pedestres, com 267 mortes (12,92%).
Em relações as mortes causadas por acidentes com quedas, 309 aconteceram no mesmo nível, como em escorregões ou tropeços. Esse número representa 51,59% dos óbitos por quedas. O levantamento mostra ainda que os homens, pessoas pardas e idosos mais velhos foram os grupos com maior número de mortes.
Para a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, os dados mostram que o envelhecimento da população amplia a necessidade de atenção aos fatores que podem afetar a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.
“A análise demonstra que prevenir acidentes e identificar situações de violência também faz parte do cuidado com a saúde da pessoa idosa. A vigilância produz informações que ajudam a compreender onde estão os riscos e a orientar ações de prevenção, proteção e cuidado”, destaca Tatyana Amorim.
Violência ocorre principalmente dentro de casa
O boletim também apresenta o cenário da violência contra a pessoa idosa no Amazonas. Entre 2018 e 2024, foram registradas 1.764 notificações de violência interpessoal e autoprovocada. O maior número da série ocorreu em 2023, com 314 notificações. Em 2024, foram registrados 329 casos.
A violência física foi a mais registrada, presente em 61,51% das notificações, seguida por negligência ou abandono (32,14%) e violência psicológica ou moral (25,11%). A residência foi o principal local de ocorrência, concentrando 61,96% dos registros.
O diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, destaca que a notificação permite identificar situações de violência e orientar a atuação da rede de proteção.
“A notificação permite que a situação de violência seja reconhecida pelo sistema de saúde e encaminhada para os serviços que podem atuar na proteção da pessoa idosa. Por isso, identificar, registrar e encaminhar são etapas que precisam funcionar de forma articulada”, afirma Alexsandro Melo.
A FVS-RCP reforça as diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, que orienta a atenção integral à população com 60 anos ou mais, com foco na promoção do envelhecimento saudável, preservação a capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida.
Foto: Divulgação da FVS-RCP
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