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Estudo explica ligação entre desmatamento e malária na Amazônia
Última atualização: 15 de Outubro de 2019 - 17:05

O desmatamento da Amazônia está ligado ao aumento da incidência de malária da região, mas a relação entre ambos é mais complexa do que se imaginava.

Um novo estudo mostra que a derrubada da mata de fato impulsiona doença, mas esta, em contrapartida, afeta a mão-de-obra local e provoca a queda das taxas de desmate, posteriormente.

Apesar de a relação entre o corte da floresta e a doença transmitida por mosquitos estar entranhada na cultura popular da região, esta noção vinha sendo recentemente contestada por uma série de estudos sugerindo que a malária se disseminava rapidamente em zonas com mais áreas de preservação.

O novo estudo, porém, fez um cruzamento detalhado dos dados epidemiológicos com as taxas de desmatamento de 2003 a 2015, e fechou o quebra-cabeça.

"Nossos resultados sugerem que um aumento de 10% no desmatamento leva a um aumento de 3,3% na incidência de malária", escrevem os cientistas Andrew McDonald e Erin Mordecai, da Universidade Stanford, da Califórnia.

Por outro lado estimam que "um aumento de 1% na incidência de malária resulta numa redução de 1,4% na área de floresta eliminada". Esses efeitos ocorrem numa escala de tempo menor que um ano.

A ligação entre desmatamento e malária, quando ocorre, é um reflexo de um maior contato de populações humanas com áreas habitadas pelos mosquitos Anopheles, os transmissores da doença causada pelo parasita plasmódio.

A Amazônia tem registrado entre 100 mil e 200 mil casos de malária nos nos últimos anos, e tem sido difícil para autoridades de saúde antecipar tendências.

O estudo de McDonald e Mordecai, porém, constatou que instâncias nas quais o desmate impulsionou a malária foram mais frequentes em municípios com mais mata preservada, longe da fronteira agropecuária, o chamado "arco do desmatamento", composto por norte do Mato Grosso e oeste do Pará.

Como os desmatadores consomem a floresta pelas bordas, normalmente áreas mais interiores exibem menor taxa de desmatamento. Mas há lugares que, às vezes, fogem à regra.

Em 2019, por exemplo, municípios na região de Apuí e Novo Aripuanã, no sudeste do Amazonas, com mais de 80% cobertura florestal, têm sofrido bastante desmatamento.

— Isso é um acontecimento bastante interessante e será fascinante acompanhá-lo para verificar se um desmatamento maior no Amazonas pode influenciar a malária — disse McDonald. — À medida que novos dados de noticação da doença estejam disponíveis, podemos rastrear efeitos mais recentes das mudanças de uso da terra na transmissão de malária na região


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