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Investigação entomológica reforça vigilância da Doença de Chagas em Manacapuru
Última atualização: 6 de Outubro de 2026 - 09:32

Equipe técnica realiza captura e identificação de barbeiros para ampliar informações sobre a presença do vetor no território


A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) realizou, até esta terça-feira (29/09), em Manacapuru (a 70 quilômetros de Manaus), uma nova etapa da investigação dos casos de Doença de Chagas registrada no município em julho. 

A ação é voltada à investigação entomológica, com busca por barbeiros e avaliação de fatores ambientais que possam contribuir para esclarecer o cenário identificado na localidade. 

O trabalho é conduzido pela Coordenação Estadual de Entomologia, área técnica vinculada à Vigilância Ambiental da FVS-RCP, com busca, captura e identificação de triatomíneos, conhecidos popularmente como barbeiros. O objetivo é ampliar as informações sobre a presença e a circulação desses vetores no território e subsidiar as medidas de vigilância e prevenção.

Essa etapa integra um trabalho mais amplo conduzido pela vigilância em saúde. Enquanto a Vigilância Epidemiológica acompanha os casos, possíveis exposições e vínculos entre as pessoas afetadas, a Vigilância Ambiental investiga a presença dos barbeiros e as condições do ambiente. As informações são analisadas em conjunto com dados laboratoriais e sanitários para contribuir com o esclarecimento da provável forma de transmissão. 

A investigação inclui a busca ativa de insetos em áreas relacionadas aos casos registrados em julho, coleta de espécimes e análise das características dos vetores encontrados. A atividade integra as ações de vigilância em saúde desenvolvidas de forma articulada com as equipes municipais e busca identificar fatores ambientais que possam estar relacionados à ocorrência do evento.

Para a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a investigação reúne diferentes áreas da vigilância para produzir informações que orientem a resposta em saúde. “A investigação permite conhecer melhor o cenário encontrado no território e direcionar as ações de vigilância e prevenção. A atuação integrada das equipes é importante para acompanhar a situação e apoiar o município na resposta aos casos”, ressalta.

O diretor de Vigilância Ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, explica que a investigação entomológica contribui para identificar a presença de vetores e as condições ambientais associadas à ocorrência dos casos. O diretor detalha que a equipe técnica realiza a busca, captura e identificação dos triatomíneos nas áreas relacionadas à ocorrência dos casos. 

“Esses achados precisam ser analisados junto às informações epidemiológicas e laboratoriais para orientar as medidas de vigilância e contribuir para esclarecer como ocorreu a transmissão”, explica Elder. 

Investigação 

Em etapa anterior da investigação, realizada em julho, foram identificados quatro exemplares de triatomíneos na área investigada, incluindo ambientes próximos às residências relacionadas aos casos. O achado confirmou a presença desses vetores no território, mas, isoladamente, não permite definir a forma de transmissão envolvida. 

 Doença de Chagas

A Doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Na região amazônica, a transmissão oral tem relevância epidemiológica e pode ocorrer pela ingestão de alimentos ou bebidas contaminados pelo parasita. A transmissão vetorial pode ocorrer por meio de triatomíneos infectados, conhecidos popularmente como barbeiros.

Na fase aguda, os sintomas mais comuns da Doença de Chagas são febre por mais de sete dias e dor de cabeça; fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas; e ferida parecida com furúnculo no local da entrada do parasita (em caso de transmissão pelo barbeiro). 

Já na fase crônica, a pessoa que estiver com a doença pode não sentir nada. No entanto, com o tempo podem surgir problemas no coração, incluindo insuficiência cardíaca; problemas digestivos, como aumento do intestino; ou aumento do esôfago. 

A FVS-RCP orienta que a população procure atendimento de saúde diante de sintomas compatíveis com a doença, especialmente em situações relacionadas a eventos já identificados pela vigilância.


TEXTO: Maíra Pessoa/FVS-RCP

FOTO: Divulgação/FVS-RCP


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